Uma dúvida muito comum entre compositores é saber qual é o momento certo de levar uma música para um produtor.
Preciso chegar com tudo pronto?
A harmonia precisa estar fechada?
A letra precisa estar definitiva?
Tenho que saber quais instrumentos serão usados?
Preciso gravar uma demo bem feita?
Na prática, não existe uma única resposta.
Já recebi músicas praticamente finalizadas, em que o trabalho de produção foi principalmente encontrar a sonoridade certa para aquela composição.
Mas também já comecei produções a partir de um áudio simples de WhatsApp, com voz e violão, trechos de letra ainda incompletos e várias decisões por tomar.
O mais importante não é a música estar tecnicamente pronta.
É existir uma ideia suficientemente clara para começarmos a tomar decisões sobre ela.
A composição não precisa estar perfeita
Esse talvez seja um dos erros que mais atrasam compositores.
A pessoa escreve uma música e passa meses tentando resolver cada detalhe antes de procurar um produtor.
Muda uma palavra.
Troca um acorde.
Volta para a versão anterior.
Grava outra demo.
Muda novamente.
E a música nunca sai daquele estágio.
Produção musical também é um processo de descoberta.
Muitas decisões que parecem difíceis quando você está sozinho ficam muito mais claras quando começamos a ouvir a música dentro de um arranjo.
Às vezes uma frase que parecia fraca funciona perfeitamente quando muda a harmonia.
Um refrão pode ganhar força simplesmente porque o arranjo criou espaço para ele.
Uma introdução que parecia necessária pode desaparecer completamente quando entendemos melhor a proposta da música.
Por isso, não espere resolver sozinho questões que fazem parte justamente do processo de produção.
O que é importante ter antes de procurar um produtor?
Algumas coisas ajudam bastante.
Uma versão da música, mesmo que simples
Pode ser voz e violão.
Voz e piano.
Uma gravação feita no celular.
Ou até uma sessão montada em alguma DAW.
Não é necessário chegar com qualidade de gravação profissional.
Essa demo serve principalmente para entendermos:
- melodia;
- letra;
- harmonia;
- estrutura;
- intenção da música.
Já trabalhei em produções que começaram literalmente com um áudio gravado no telefone.
A qualidade daquele arquivo não determina a qualidade do resultado final.
Referências musicais
Aqui está uma das coisas que mais ajudam um produtor.
Mostre músicas que tenham alguma relação com o resultado que você imagina.
Mas existe uma diferença importante:
referência não significa copiar.
Uma música pode ser referência de bateria.
Outra pode representar o tipo de vocal que você gosta.
Outra pode ter a atmosfera que você procura.
Outra pode ter uma instrumentação interessante.
Quando um artista me apresenta algumas referências, consigo entender muito mais rapidamente o universo sonoro que ele está imaginando.
Saber o que você quer transmitir
Essa pergunta muitas vezes é mais importante do que escolher instrumentos.
Como você quer que alguém se sinta ouvindo essa música?
Intimidade?
Energia?
Nostalgia?
Tensão?
Alegria?
Grandiosidade?
Uma produção musical é uma sequência de decisões tomadas para reforçar uma determinada intenção.
O timbre da bateria, a escolha de um piano, a quantidade de elementos no arranjo e até o espaço da voz na mixagem podem mudar completamente a percepção de uma composição.
E o arranjo?
Não é necessário chegar com o arranjo pronto.
Na verdade, essa é justamente uma das áreas em que um produtor pode contribuir bastante.
Imagine uma música que começa apenas com voz e piano.
No segundo verso pode entrar um baixo.
No pré-refrão uma textura.
No refrão bateria, guitarra e backing vocals.
Depois tudo pode desaparecer novamente.
Essas decisões criam movimento.
Elas ajudam a contar a história da música.
Um bom arranjo não significa necessariamente colocar muitos instrumentos.
Muitas vezes acontece exatamente o contrário.
Produzir também é saber o que não colocar.
Produção musical não é apenas gravação
Ainda existe uma ideia de que produzir uma música significa entrar no estúdio, gravar os instrumentos e depois mixar.
Mas grande parte do resultado acontece antes da gravação definitiva.
Durante uma produção podemos discutir:
- tonalidade;
- andamento;
- estrutura;
- duração;
- instrumentação;
- dinâmica;
- interpretação;
- identidade sonora;
- referências;
- público;
- formato de lançamento.
Às vezes mudar o tom em apenas um semitom transforma completamente uma interpretação vocal.
Em outros casos, cortar oito compassos deixa a música muito mais objetiva.
Essas pequenas decisões se acumulam.
No final, são elas que separam uma simples gravação de uma produção musical pensada como obra completa.
Quando uma música ainda não está pronta?
Existem alguns casos em que vale desenvolver um pouco mais a composição antes de começar a produção.
Por exemplo, quando ainda não existe uma melodia definida ou quando há apenas uma ideia muito inicial de letra sem estrutura musical.
Mas mesmo nesses casos é possível trabalhar.
A diferença é que o projeto começa a se aproximar também de um trabalho de composição e direção artística.
O ponto principal é entender em qual estágio a música está e qual tipo de ajuda será necessário.
Não use a demo como prisão
Existe ainda outro problema comum.
O compositor monta uma demo e se acostuma tanto com ela que começa a considerar qualquer mudança como um erro.
Isso pode limitar muito a produção.
Uma demo deve funcionar como ponto de partida, não obrigatoriamente como planta definitiva.
Às vezes aquela guitarra provisória acaba realmente sendo perfeita.
Em outras situações, descobrimos uma direção completamente diferente durante o processo.
É justamente essa possibilidade de experimentar que torna a produção interessante.
Então, quando devo procurar um produtor?
Minha resposta seria:
quando você já consegue mostrar a essência da música e está disposto a desenvolvê-la.
Não espere ter o arranjo perfeito.
Não espere comprar equipamentos melhores.
Não espere conseguir gravar uma demo profissional.
E principalmente não deixe uma música parada durante meses porque acredita que ainda precisa resolver tudo sozinho.
O trabalho do produtor começa justamente onde surgem essas decisões.
Cada música pede um processo diferente
Depois de muitos anos trabalhando com produção musical, uma coisa ficou bastante clara para mim:
não existe uma fórmula que funcione para todas as músicas.
Algumas pedem uma produção grande.
Outras ficam melhores com pouquíssimos elementos.
Algumas chegam praticamente prontas.
Outras encontram sua identidade dentro do estúdio.
O objetivo não deveria ser simplesmente deixar uma música “mais produzida”.
O objetivo é encontrar a produção que aquela música precisa.
Quer produzir uma música?
Se você tem uma composição, mesmo que ainda esteja apenas em voz e violão, piano ou uma demo simples, pode me enviar para uma primeira avaliação.
No Estúdio Hertz, trabalho com produção musical presencial em Brasília e também com produção musical online.
A partir da música e das suas referências, podemos entender qual caminho de produção faz mais sentido para o projeto.
Entre em contato e me conte sobre a sua música.
